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Fugalaça, de Mayra Dias Gomes

Confesso que peguei o livro sem muita fé, só para dar aquela “espiadinha” entre tantos títulos na Saraiva. Sou frequentadora do flog da Mayra e admirava sua fotogeniedade (oh, God, essa palavra existe?). Depois de dois minutos com o livro na mão, não tive dúvidas de que o lugar dele era no meu quarto, na minha coleção.

Li tudo em tacadas durante três dias. Viajei com a personagem principal, Satine (esse nome foi a única coisa que eu não gostei no livro, mas… who cares?), enquanto fumava alegre meu narguilé com erva sabor menta. Delícia.

O mundo descrito no livro, sob o olhar de uma adolescente em constante fuga de sua realidade, condiz com o meu em muitas partes. Morte, depressão, letargia, suicídio, obsessão. Essas coisas fazem parte da vida de tanta gente, e é tema de autores tão consagrados e idolatrados em círculos distintos, que Fugalaça poderia cair num clichê sem sal. Mas não é isso que a bela escritora faz, bem pelo contrário. Nunca vi tão boas metáforas cuspidas por uma mente tão jovem. Na realidade, nem deveríamos lembrar da juventude da moça, isso é o de menos. Mayra escreve com fúria, numa série de confissões capturadas em câmera lenta, para que possamos enxergar os mínimos detalhes de sua alma. O livro fala até coisas que ali não foram escritas. Há diálogos inteiros entre a autora e o leitor entre uma frase ou outra, impossível de não sentir. É como se ela gritasse, e por vezes sussurrasse, em nosso ouvido palavras que entregam a sua essência perturbada.

E as referências musicais então? Noooossa! Fiquei de queixo caído. E aqui vou ressaltar uma passagem em que Satine se corta para abrandar a dor que a consome por dentro e nisso ela menciona as palavras “o meu Frankstein”, fazendo minha mente disparar diretamente para Feed my Frankstein (baixem, é boa) by Alice Cooper. As coisas se encaixam bem, e acredito que a ‘inicialização’ da garota no undergroud se encaixa perfeitamente com o debut de muitas nesse mundinho perverso e diabolicamente extasiante, sexy e sujo.

Só acho que ela poderia ter escrito sua própria mini-biografia, ao invés de trocar tantos nomes e colorir tantas situações… Porque eu sempre vou achar que tudo aquilo aconteceu de fato com Mayra Dias Gomes, e não com Satine.

Já passei por 70% das situações do livro, so… ponto para autora, já que 30% das gurias como eu também passaram por tudo aquilo. A eterna busca por algo que nunca poderemos resgatar.

Garota Coca-Cola

Go go go! Take down that point, soldier!

Ok. Não aguento mais ler críticas babando pelo Call of Duty 4, Modern Warfare. O blockbuster que fechou sua terceira versão ainda na Segunda Guerra Mundial, partiu agora para os tempos atuais. O Warfare chamaria atenção caso todas grandes empresas de games não resolvessem lançar outros jogos do gênero no ano de 2006 e 2007. Rainbow Six Vegas, GRAW, Halo, Gears of War, Crysis, Bioshock e alguns outros. Ok, alguns deles não retratam a ‘realidade’ e partem para o scy-fi.
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Por que falam tanto do CoD4?
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Gráficos?
Jogabilidade?
Inteligência Artificial?
Enredo?
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Todo game que trás novidades é sempre levado a toda sua rentabilidade, do que ele pode fazer, do que ele pode te dar. O CoD4 com certeza me impressionou com gráficos que eu não tinha visto ainda em jogos de computador. Eu uso uma já comum 8800GTS 320, mas já rodei estes games em placas superiores. A jogabilidade seguiu a linha dos outros CoD e está muito melhor neste último título, o Warfare. Preciso comentar dos gráficos? O que eu sempre reclamei em jogos do gênero era o problema dos projéteis não atravessarem portas, caixas, paredes… Finalmente ví isso acontecer! Claro que em outros jogos isso já acontecia, mas foi no Warfare que evidenciou mesmo esta belezinha. Ah, o último jogo que realizava bem esta façanha era o saudoso 007 vs Gondeneye, do Nintendo 64, com a Magnun 357 ou alguma arma do gênero, já faz muito tempo…
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Voltando a falar sobre a jogabilidade, o modo single player sofre de alguns problemas que, para mim, é muito grave. Não chega a ser um ‘bug’ de fato, mas é algo que me incomoda. Quem jogou já deve ter percebido que quando você fica escorado em algum canto matando quem aparece, você fica eternamente alí a não ser que avance para o próximo ‘point’ aonde os inimigos param de vir. Não tem graça você não poder limpar a área de terroristas ou não poder dar cobertura para seus companheiros. Ficar eternamente atirando sem parar de vir revolucionários. Ponto positivo para o Rainbow Six Vegas, lá isso não acontece. Ok, jogos diferentes, intenções diferentes.
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Ja no modo multi-player, não se pode reclamar muito. Simplesmente arrasador. Ganhando levels, perks, habilidades… Nivel a nivel, ganhando medalhas em cenários foto-realísticos. Lindo. A unica reclamação aqui é sobre o single player mesmo, ele possui uma campanha minúscula em comparação aos outros CoD. m i n u s c u l a!

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E sobre a inteligência artificial?
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Nem tão boa, nem tão ruim. Ela de fato não melhora nos níveis mais difícil do jogo. O que de fato acontece é que os inimigos ficam com uma mira melhor e atiram ‘de verdade’. Eles não tem realmente uma ‘inteligência’, são comandos pré programados que alteram-se de acordo com grandes atitudes que você toma, grandes no caso, não épicas, mas sim de movimentação. Eles não se escondem ou ficam de ‘tocaia’. Nada de muito diferente dos outros jogos.
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Porém a jogabilidade encontra-se junto com os gráficos e o enredo. O CoD4 tornou-se muito cinematográfico, lindo, suave. Há movimentos in-game que não se pode fazer mas você ve seus companheiros fazendo. Demais. Para os amantes de guerra e contos épicos o jogo realmente excita. Quem não se lembra das cenas do Rambo atirando para tudo que era lado enquanto seu amigo ferido sem uma perna ficava no chão dando ‘apoio’ com uma pistola 9mm?
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As seqüências de cena, os loadings do jogo, todos foram cuidadosamente produzidos. Logo na primeira missão do game já se vê um artifício novo: o barco afundando e… Bem, jogue e verá.
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O Warfare, analizado unicamente em comparação com ele mesmo, poderia ter sido melhor, poderia.
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Só na parte gráfica o game merece muitos pontos, não há nada igual no mercado.

Maria Antonieta, de Sofia Coppola

Confesso: sou doida por filmes que retratam a vida antes do século XIX, tanto na nobreza quanto na plebe. E foi com empolgação que botei para rodar o dvd do filme Marie Antoinette, com Kirsten Dunst no papel principal.Então, vamos ao fato. A princesa austríaca (na real, arquiduquesa) parte para a França, aos 14 anos, para se casar com o heredeiro do trono, que futuramente seria lembrado como Luis XVI. Sem entrar em detalhes do enredo da biografia, sinceramente, eu esperava mais do filme. Não noto solidez emocional ou a tensão psicológica que a história pede. A intenção do filme era de mostrar uma Maria Antonieta menos frívola, mas o que eu vi nela foi um show de futilidades e mais nada. Não passa de uma garota comum. Teve problema no início de seu casamento, pois seu marido não a tocava. Confesso que de início dei várias risadas mentais, pois achava que ele seria revelado um homossexual. Mas não, o garoto só tinha problemas de iniciativa sexual, nada demais. Entretanto eu achei o desenvolvimento desse fato crucial (sim, porque ficamos mais de uma hora do filme na função da não-consumação do casamento) foi por deveras esparsa. É um ‘bafafá’ na corte em volta da falta de sexo entre o rei e a rainha, e no fim basta o irmão de Antonieta ter uma simples conversa com Luís e logo na cena seguinte ele está montado em cima dela. Assim, sem mais explicações.

O ponto alto do filme são os figurinos e os cenários. Esplendidos. Perfeitos. Imperdíveis. Fiquei com a impressão de que a única função do filme é mostrar as roupas daquela época, já que a todo momento aparecem damas trocando seus vestidos e comprando sapatos.

Falar nisso é engraçadissima a cena em que a câmera foca a rainha trocando um par de sapatos azuis e ao lado aparece um PAR DE ALL STAR roxos e VELHOS! Demais, demais. Combinou com a trilha sonora do filme, que continha um rockizinhos teen de linha britânica. Música para teenagers e só. Aliás: Maria Antonieta é a completa garota-teen da realeza. Kirsten Dunst, apesar da rasa profundidade emocional de sua personagem, cumpre sua função com brilho e excelência.

Recomendo o filme só para pessoas que gostam de roupas e guriazinhas de 13 anos.

Obs: Nota para a cena sem-vergonha da traição da austríaca com um membro super-sexy do exército. Aquele acara me lembrou membros em potencial de banda de metal melódico. O que eu não entendi foi a função que essa traição teve para a trama, já que a mulher foi lá, deu, ele foi embora, e ficou por isso mesmo. Seria normal a não ser pelo detalhe de que a enrolação deles durava há anos até que chegassem aos ‘finalmentes’. Enfim, vai entender?

 

Por Garota Coca-Cola

Lá outra vez

 

“Ali, no calabouço do rei, ficou o pobre Thorin; e depois de sentir-se grato pela refeição, começou a imaginar o que teria acontecido com seus infelizes amigos.

“Não demorou muito para que descobrisse, mas isso pertence ao próximo capitulo e ao início de outra aventura, na qual o hobbít mais uma vez mostrou sua utilidade.”

Uma passagem de um livro que eu lia a não muito tempo atrás. Era um livro de cabeceira, e voltou a ser denovo.
Nesse trecho, Thorin vê-se preso pelos Elfos em uma floresta a média distância do Condado. Bilbo, com ajuda de sua jóia surge de valia para um grupo peculiar de viajantes.

Tolkien realmente quis escrever isso? Ele fez as regras a muito tempo atrás. Elfos, anões e hobbits. Convivendo em um Mundo aonde o humano criava e destruía mais rápido do que um lobo consumia uma lebre. Tolkien… Darwin?

Mulher de um homem só, de Alex Castro

Uma quase-resenha de “Mulher de um homem só”, um e-book de Alex Castro.

O romance é curto e de linguagem facílima, com aquele tal ‘discurso indireto’ que normalmente me confunde (ai, meu conservadorismo literário!). Me rendeu umas boas gargalhadas e me fez lembrar que todos os romances ao melhor estilo “comédia x drama-interno” que eu havia lido tinham sido escritos por mulheres, e todas estrangeiras. Ponto para esse e-book escrito por um homem. E brasileiro.

Sempre apreciei esse tipo de narração em primeira pessoa, que conta das suas próprias desgraças e nos descreve as situações de um jeito irônico. Eu me identifiquei com a protagonista e seus desesperos, suas frustrações diante da sólida amizade que seu marido mantinha com uma mulher problemática e completamente dependente dele. Se eu fosse Carla, nossa narradora, teria perdido totalmente a compostura nas primeiras aparições e intromissões da “amiga” na vida conjugal do casal. Em algumas cenas eu me permiti sentir as entranhas ferventes da esposa injuriada, e em outras me toquei com a infeliz solidão da mulher solteira e infeliz. Os opostos são constantes. Enquanto Carla faz Odontologia e Murilo Medicina, formando uma família estável e conveniente, Júlia estuda Arte, mora num apartamento conjugado com o da mãe, tem crises conforme a recepção da crítica às suas obras, e depende do consolo e da aprovação de Murilo para tudo.

Poderia jurar que se trata de uma mulher escrevendo esse livro… Mas não é! A obra toca alguns tópicos interessantes para discussões (como casamento, adolescência, amizade entre homem e mulher, amor, respeito) e em reflexões inconvenientes e instigantes (suicídio como meio de chamar atenção, educação adequada para os filhos, ideais da antiga sociedade machista), que são transmitidos de forma naturalmente sutil, através de fatos corriqueiros ao longo da vida dos personagens.

Há alusões a uma especial “tara” do autor em determinada parte do livro, coisa que eu achei divertidíssima, pois se não acompanhasse o blog LLL eu nuca teria lido esta passagem e achado tanta graça. A única coisa que intriga é o final, que me deu a nítida sensação de ter lido um conto e não um romance. Isso tudo pela mínima quantidade de horas que eu levei para lê-lo e toda a simplicidade do enredo. Nota 9. Só não é nota 10 porque é muito curto!

Por Garota Coca-Cola.

 

 

Obs: Se o autor permitir, passarei o pdf para os amigos que quiserem.

Vale a pena ser ético na profissão?

Sobre Ética e Imprensa de Eugênio Bucci, pode-se ter bases para discutir essa questão. Partindo do princípio básico a explicar o que é ética.

Etimologicamente falando, ética vem do grego “ethos”, e tem seu correlato no latim “morale”, com o mesmo significado: Conduta, ou relativo aos costumes.

Analisando o ceifar dos costumes atuais, o descaso com o próximo e todos os problemas humanitários, o que é relativo à conduta ou aos costumes está se transformando. A ética já não é mais a mesma. Os valores já não são os mesmos.

Temos que retratar os princípios. Isso não é uma adulação aos costumes bíblicos muito menos a igreja. Em qualquer profissão é necessário um limite de atuação, a sinceridade e a ética, esta palavrinha que assombra a todos e faz da anti-mídia mais lasciva e raivosa.

No jornalismo é preferível mostrar o furo de reportagem que pode ser de duvidosa procedência do que verificar fontes e certificar-se do não cometimento da divulgação errada. Tornou-se comum essa atitude, tornou-se costume. Ética.

É dever do médico dizer ao paciente quanto tempo lhe resta de vida, mas será correto o jornalista divulgar que Luiz Inácio Lula da Silva hipoteticamente teria só mais dez dias de vida? Sim, ele é uma pessoa de interesse público, nosso presidente. Mas e o José da banca ao lado? Não. O sensacionalismo tem tomado conta dos jornais e feito públicos fiéis. Aonde há oferta há busca.

A digito cognoscitur Leo

É. Quem escreve o que o povo lê, são os jornalistas. A palavra escrita lida por milhões de pessoas todos os dias tomam proporções as vezes irremediáveis. Vide Collor 1992. Não, não é um filme de ficção, é realidade. 15 anos atrás. Um mais recente? Carlos Massa, 43 anos. O Ratinho. Tempo atual.

A novo

Todos os dias notícias são publicadas e notícias são feitas equivocadamente. A pressão diária para ter o fato a priori faz a concorrência aumentar. Não quero botar um freio na fonte de publicação, quero organizar os dedos ágeis dos jornalistas a fazer a melhor notícia possível. A não difamar, caluniar ou fazer injúria. Não há duvidas de que para saber o que fazer, para conviver na sociedade precisa ter ética. Jargões e ditados populares, sim. Estes explicam perfeitamente como deveria ser a sociedade. A teoria é magnífica.
Os problemas: Distorção, invasão de privacidade, assassinato de reputação. Superexploração do sexo. Abuso de poder. Se fossemos (todos) educados enquanto criança a jogar o lixo em seu lugar, o mundo seria um lugar melhor. Teoria.

 

Por Fábio S.H.

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Neuromancer

Willian Gibson foi, sob muitos aspectos, inovador e intenso. Embora seja fruto direto de uma literatura alternativa de alguns autores que o antecederam, tendo forte influência de Blade Runner (1982, de Philip K. Dick) seu romance de estréia é o gancho que nos leva a mergulhar na realidade virtual, tão glamurosamente explorada nesse início de milênio. Enxergando muito longe, Gibson alcança a suprema condensação de conceitos pós-apocalípticos previstos por diversos filósofos da era moderna. A sintetização das acrópoles é o exemplo perfeito disto.
Usando o termo “matrix” pela primeira vez, vemos grandes similaridades entre esta obra e o filme que leva este nome. O protagonista, Case, é um hacker do futuro e cai entre o estereótipo de anti-herói e salvador, assim como o também hacker Neo da trilogia Matrix.

Deixando comparações de lado, vemos no livro o fiel retrato dos desejos mais profundos da humanidade sendo realizados em troca de dinheiro. O mundo é movido pelos piores sentimentos da natureza humana: vaidade, orgulho, ganância e traição. Lembra um clima caótico, tipicamente urbano, onde a junção destas características dá o exato teor que busca o termo cybercultura, que se tornou popular nos anos 80. Em tudo há um brilho de sofisticação automatizada, e tudo se consegue ingerindo uma pílula ou encaixando um microchip nas orelhas. Não é preciso sentir dor nem ser feio. Redenção e beleza são adquiridas como remédios em farmácias, expostas em vitrines nas ruas.

O distanciamento dos hackers para a Matrix contrasta radicalmente com o mundo real, onde tudo gira em torno da aparência física. Na realidade virtual o que vale é a sua inteligência e a capacidade de seus softwares. Com a linguagem rápida, impecável, não saímos do ritmo frenético onde a história se desenrola. É como se o tom das palavras nos enviasse diretamente a Chiba City ou ao Sprawl – lugares-chaves do romance, onde é possível encontrar uma clinica de cirurgia plástica e um bar que vende drogas personalizadas a cada esquina.

A decadência da vida humana na Terra e no espaço, frente a evolução da Inteligência Artificial, deixa muitas vezes os sentimentos em segundo plano durante a narração, mas isso é mera ilusão. Toda a movimentação informatizada do livro serve aos caprichos de humanos ressentidos e em busca de uma razão para sua existência em um mundo tão desprezível. Em contrapartida, há uma passagem em que nos deparamos com uma cultura essencialmente humana e calorosa, uma legião de humanos rastafari que habitam a Lua e vivem em harmonia com a sua natureza. Seus corpos conservam os últimos DNA humanos puros, sem a intervenção de nenhum tipo de substância ou procedimento cirúrgico, e eles estão sempre “na paz de Jah”. Curiosamente, são eles também ótimos pilotos de aeronaves, não deixando de fazer uma estranha combinação de tecnologia e superstição, uma espécie de suspiro redentor entre o caos do espaço.

A única falha aparente neste romance é a inserção de personagens no meio da ação, sem maiores explicações. Isso é concertado na última edição brasileira, com notas de rodapé que também explicam alguns termos pouco usuais – como AI, deck, RAM, ROM -, mas em algumas ocasiões isso tira o ritmo da narração. O jorro de informações pode assustar um leitor desavisado e inexperiente, ou extasiar um grande leitor de ficção, bem como interessados em caotizar idéias e odiar o mundo atual do jeito que está.

Neuromancer com certeza é romance dos profissionais da segurança de dados, e a menina-dos-olhos da cultura cyberpunk.

por Garota Coca-Cola

 

Abiogênese de Letras!

Basta baixar os dedos para que pequenas e rasteiras letras apareçam uma justaposta a outra. Com pequeno esforço se dá sentido a elas! Epidermicamente elas tocam e se alvoroçam entre barrinhas e pontinhos. Tentam achar o melhor formato, sentido e de-sentido. Porém, contudo, todavia: umas ficam egoístas e querem aparecer mais! Se repetir! Contudo, a repetição é o pecado do centrismo do ‘eu’. (Note que poderia ser usado ‘egocentrismo’ aqui, mas como elas tendem a cada vez ficar mais espertas, as letrinhas rasteiras aprendem a inovar!)
As letras de nadam servem se ninguém as ver! Imaginem o artista sem público? Coitado… Há como a letra ser melhor do que o artista. Este, caquético, não sobrevive ao tempo. Já a rasteirinha marota sobrevive! Agora, no vazio da matrix disseminada pelo mundo elas são quase imortais. O artista precisa da luz? Talvez… No sentido poético sim. Mas há quem leia e-books em seu quarto sob forte penumbra com a luz propagada de um CTR antigo, amarelado, jogando sombras sobre os dedos do alguém.Basta baixar os dedos para que pequenas e rasteiras letras dominem cada arfada de um pulmão. Cada sinopse de um nano segundo, cada gotejo sublevado do movimento. E! Elas novamente se tornam egoístas e fãs da multidão, fazendo a busca da frase perfeita. Tentando dar o final. Aquele que deixa o leitor com raiva, aquele que deixa quem as lê com o coração tocado. Aquele, burro, que não sabe variar o aquele! Tal letrinha busca deixar a sua interpretação aberta a tantas outras…

Mas aqui! Aqui… Aqui! Não alí… Aquí! Olhe em volta! Você está aquí! Com acento no í. Aqui você vai interpretar esses caracteres do jeito que quiser. Mas você estará tendenciado a ler a difamação de diversas obras de diversos domadores destas letrinhas rasteiras.
Fique a vontade, interprete a vontade. Logo logo a febre das letrinhas rasteiras e marotas irá te assolar. Logo logo.
Sejam bem vindos.

Por Fábio S.H.

 

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